Pretérito mais-que-perfeito

A vida pode ser desperdiçada justamente quando se deixa de viver o presente para devanear a hipótese de remontar um novo passado. Este problema geralmente decorre de uma frustração, de uma meta não atingida.

Como dizia o cineasta Marcel Pagnol, as pessoas vivem esperando um futuro melhor do que será e conseqüentemente julgam o presente pior do que ele é. Esta linha de pensamento geralmente gera frustrações. É importante projetarmos sonhos no futuro, entretanto só convém estipularmos sonhos alcançáveis a fim de evitar decepções. Erros e acertos não são conceitos que se anulam, os erros do passado podem ser os acertos do presente, só dependem do tratamento que lhes é dado.

Constantemente deparo-me com o questionamento acima, crio a hipótese de voltar no tempo, já munido de todo o conhecimento que carrego, para então aproveitar as oportunidades de uma melhor forma. Mas pensando, também percebo que o fato de voltar no tempo já é impossível, carregar de volta conhecimentos de coisas que aconteceram antes desta viagem no tempo, e esperar que as coisas se comportem da mesma maneira que se comportaram antes, beira a inocência e a loucura, então me atenho somente ao fato de que um dia o homem possa contrariar as leis da física e realmente viaje no tempo e, neste caso, descubro que se voltasse no tempo não teria as experiências que me fizeram chegar à atual linha de pensamento, ou seja, não adiantaria nada.

Logo, devemos entender que é impossível voltar no tempo e precisamos simplesmente aceitar o nosso passado, sem ponderações e hipóteses e, desta maneira, progredir, com as prospecções reais e plausíveis, aceitando nossas limitações; afinal o pretérito já é mais que perfeito.

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